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domingo, 22 de abril de 2012


REDAÇÃO DISSERTATIVA

Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Em princípio, o texto dissertativo não está preocupado com a persuasão e sim, com a transmissão de conhecimento, sendo, portanto, um texto informativo.

O texto dissertativo argumentativo tem uma estrutura convencional, formada por três partes essenciais.
Introdução
Que apresenta o assunto e o posicionamento do autor. Ao se posicionar, o autor formula uma tese ou a ideia principal do texto. Apresentando os principais indicadores que geram o problema.

Exemplo: Desconhecimento do aluno
Uma boa parte dos alunos das escolas públicas da cidade de Salvador apresenta uma grande falta de conhecimento. Os indicadores que causam esse grande problema podem ser identificados pela falta de interesse em preparar os deveres de casa e administração do tempo para os estudos.
Desenvolvimento
Formado pelos parágrafos que fundamentam a tese. Normalmente,  em cada parágrafo, é apresentado e desenvolvido um argumento. Cada um deles pode estabelecer relações de causa e efeito ou comparações entre situações, épocas e lugares diferentes, podem também se apoiar em depoimentos ou citações de pessoas especializadas no assunto abordado, em dados estatísticos, pesquisas, alusões históricas.

Ex: A falta de interesse dos alunos pode ser percebida pela postura que cada um tem em sala de aula. Segundo...(caso tenha alguma citação de autor sobre o fato).

Conclusão
Retoma a tese, sintetizando as ideias gerais do texto propondo soluções para o problema discutido.

Atenção: a linguagem do texto dissertativo-argumentativo costuma ser impessoal, objetiva e denotativa.  Predominam formas verbais no presente do indicativo e emprega-se o padrão culto e formal da língua.

O Parágrafo
Além da estrutura global do texto dissertativo-argumentativo, é importante conhecer a estrutura de uma de suas unidades básicas: o parágrafo.
Parágrafo é uma unidade de texto organizada em torno de uma ideia-núcleo, que é desenvolvida por ideias secundárias. O parágrafo pode ser formado por uma ou mais frases, sendo seu tamanho variável. No texto dissertativo-argumentativo, os parágrafos devem estar todos relacionados com a tese ou ideia principal do texto, geralmente apresentada na introdução.
Embora existam diferentes formas de organização de parágrafos, os textos dissertativo-argumentativos e alguns gêneros jornalísticos apresentam uma estrutura-padrão. Essa estrutura consiste em três partes: a ideia-núcleoas ideias secundárias (que desenvolvem a ideia-núcleo), a conclusão. Em parágrafos curtos, apresenta as propostas para a solução do problema.

A seguir, será apresentado um espelho de correção de redação. A faixa de valores dos itens analisados sofre alteração a cada concurso, os aspectos macroestruturais e microestruturais são variáveis na maneira como são expostos. No entanto, os espelhos não fogem ao padrão pré-determinado.

ESPELHO DA AVALIAÇÃO DA PROVA DISCURSIVA - MODELO CESPE/UnB
Aspectos macroestruturais
nota obtida
faixa de valores



APRESENTAÇÃO TEXTUAL


Legibilidade

(0,00 a 2,00)
Respeito às margens e indicação de parágrafos

(0,00 a 2,00)



ESTRUTURA TEXTUAL (dissertativa)


Introdução adequada ao tema/posicionamento

(0,00 a 4,00)
Desenvolvimento

(0,00 a 4,00)
Fechamento do texto de forma coerente 

(0,00 a 4,00)



DESENVOLVIMENTO DO TEMA


Estabelecimento de conexões lógicas entre os argumentos

(0,00 a 4,00)
Objetividade de argumentação frente ao tema/posicionamento

(0,00 a 4,00)
Estabelecimento de uma progressividade textual em relação à sequência lógica do pensamento

(0,00 a 4,0
Tipo de erro
Pontuação
Construção do período
Emprego de conectores
Concordância nominal
Concordância verbal
Regência nominal
Regência verbal
Grafia/acentuação
Repetição/omissão vocabular.

OutrosNota no conteúdo (NC) » NC = 5 : 28 x (soma das notas dos quesitos)
Número de linhas efetivamente ocupadas (TL)
Número de erros (NE)

NOTA DA PROVA DISCURSIVA (NPD): NPD=NC - 3 x NE : TL
A seguir, apresentarei a estrutura textual dissertativa, a partir dos dados do espelho de correção da prova discursiva, seguindo a orientação do professor Fernando Moura (Nas Linhas e Entrelinhas).

ESTRUTURA TEXTUAL DISSERTATIVA

1. Bases Conceituais
PARTE I - O conteúdo da redação

a) Apresentação Textual
Legibilidade e erro: escreva sempre com letra legível. Prefira a letra cursiva. A letra de imprensa poderá ser usada desde que se distinga bem as iniciais maiúsculas e minúsculas. No caso de erro, risque com um traço simples, o trecho ou o sinal gráfico e escreva o respectivo substituto.
Atenção: não use parênteses para esse fim.
- Respeito às margens e indicação dos parágrafos;

Para dar início aos parágrafos, o espaço de mais ou menos dois centímetros é suficiente. Observe as margens esquerda e direita na folha para o texto definitivo. Não crie outras. Não deixe "buracos" no texto. Na translineação, obedeça às regras de divisão silábica.

Limite máximo de linhas;Além de escrever seu texto em local devido (folha definitiva), respeite o limite máximo de linhas destinadas a cada parte da prova, conforme orientação da banca. As linhas que ultrapassarem o limite máximo serão desconsideradas ou qualquer texto que ultrapassar a extensão máxima será totalmente desconsiderado.

-Eliminação do candidato;
Seu texto poderá ser desconsiderado nas seguintes situações:
ultrapassagem do limite máximo de linhas.ausência de texto: quando o candidato não faz seu texto na FOLHA PARA O TEXTO DEFINITIVO.

fuga total ao tema: analise cuidadosamente a proposta apresentada. Estruture seu texto em conformidade com as orientações explicitadas no caderno da prova discursiva.

registros indevidos: anotações do tipo "fim" , "the end", "O senhor é meu pastor, nada me faltará" ou recados ao examinador, rubricas e desenhos.

b) Estrutura Textual Dissertativa
Não comece com o texto com o título, a redação começa na linha 1 da folha definitiva o seu parágrafo de introdução.

Estrutura clássica do texto dissertativo:

b.1) Introdução adequada ao tema / posicionamento
Apresenta a ideia que vai ser discutida, a tese a ser defendida. Cabe à introdução situar o leitor a respeito da postura ideológica de quem o redige acerca de determinado assunto. Deve conter a tese e as generalidades que serão aprofundadas ao longo do desenvolvimento do texto. O importante é que a sua introdução seja completa e esteja em consonância com os critérios de paragrafação. Não misture ideias.

b.2) Desenvolvimento
Apresenta cada um dos argumentos ordenadamente, analisando detidamente as ideias e exemplificando de maneira rica e suficiente o pensamento. Nele, organizamos o pensamento em favor da tese. Cada parágrafo (e o texto) pode ser organizado de diferentes maneiras:
- Estabelecimento das relações de causa e efeito: motivos, razões, fundamentos, alicerces, os porquês/ consequências, efeitos, repercussões, reflexos;
- Estabelecimento de comparações e contrastes: diferenças e semelhanças entre elementos - de um lado, de outro lado, em contraste, ao contrário;
Enumerações e exemplificações: indicação de fatores, funções ou elementos que esclarecem ou reforçam uma afirmação.

b.3) Fechamento do texto de forma coerente (conclusão):
Retoma ou reafirma todas as ideias apresentadas e discutidas no desenvolvimento, tomando uma posição acerca do problema, da tese (solução do problema). É também um momento de expansão, desde que se mantenha uma conexão lógica entre as ideias.

c) Desenvolvimento do Tema:
c.1) Estabelecimento de conexões lógicas entre os argumentos.
Apresentação dos argumentos de forma ordenada, com análise detida das ideias e exemplificação de maneira rica e suficiente do pensamento. Para garantir as devidas conexões entre períodos, parágrafos e argumentos, empregar os elementos responsáveis pela coerência e unicidade, tais como operadores de sequenciação, conectores, pronomes. Procurar garantir a unidade temática.

c.2) Objetividade de argumentação frente ao tema / posicionamento:
O texto precisa ser articulado com base nas informações essenciais que desenvolverão o tema proposto. Dispensar as ideias excessivas e periféricas. Planejar previamente a redação definindo antecipadamente o que deve ser feito. Recorrer ao banco de ideias é um passo importante. Listar as ideias que lhe vier à cabeça sobre o tema. Estabelecer a tese que será defendida. Selecionar cuidadosamente entre as ideias listadas, aquelas que delimitarão o tema e defenderão o seu posicionamento.

c.3) Estabelecimento de uma progressividade textual em relação à sequência lógica do pensamento.

O texto deve apresentar coerência sequencial satisfatória. Quando se proceder à seleção dos argumentos no banco de ideias, deve-se classificá-los segundo a força para convencer o leitor, partindo   dos menos fortes parta os mais fortes.
Caríssimos, é possível (e bem mais tranquilo) desenvolver um texto dissertativo a partir da elaboração de esquemas. Por mais simples que lhes pareça, a redação elaborada a partir de esquema  permite-lhes desenvolver o texto com sequência lógica,  de acordo com os critérios exigidos no comando da questão (número de linhas, por exemplo), atendendo aos aspectos mencionados no espelho de avaliação. A professora Branca Granatic oferece-nos a seguinte sugestão de esquema:

SUGESTÃO DE PRODUÇÃO DE TEXTO COM BASE EM ESQUEMAS:

ESQUEMA BÁSICO DA DISSERTAÇÃO;  
1º parágrafo: TEMA + argumento 1 + argumento 2 + argumento 3
2° parágrafo :desenvolvimento do argumento 1
3° parágrafo: desenvolvimento do argumento 2
4° parágrafo: desenvolvimento do argumento 3
5° parágrafo: expressão inicial + reafirmação do tema + observação final.

EXEMPLO:

TEMA: Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver graves problemas que preocupam a todos.
POR QUÊ?
*arg. 1: Existem populações imersas em completa miséria.
*arg. 2: A paz é interrompida frequentemente por conflitos internacionais.
*arg. 3: O meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico.

Texto definitivo
Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver os graves problemas que preocupam a todos, pois existem populações imersas em completa misériaa paz é interrompida frequentemente por conflitos internacionais e, além do mais, o meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico.

 Embora o planeta disponha de riquezas incalculáveis - estas, mal distribuídas, quer entre Estados, quer entre indivíduos – encontramos legiões de famintos em pontos específicos da Terra. Nos países do Terceiro Mundo, sobretudo em certas regiões da África, vemos com tristeza, a falência da solidariedade humana e da colaboração entre as nações.

Além disso, nesta últimas décadas, temos assistido, com certa preocupação, aos conflitos internacionais que se sucedem. Muitos trazem na memória a triste lembrança das guerras do Vietnã e da Coréia, as quais provocaram grande extermínio. Em nossos dias, testemunhamos conflitos na antiga Iugoslávia, em alguns membros da Comunidade dos Estados Independentes, sem falar da Guerra do Golfo, que tanta apreensão nos causou.

Outra preocupação constante é o desequilíbrio ecológico,provocado pela ambição desmedida de alguns, que promovem desmatamentos desordenados e poluem as águas dos rios. Tais atitudes contribuem para que o meio ambiente, em virtude de tantas agressões, acabe por se transformar em local inabitável.

 Em virtude dos fatos mencionados, somos levados a acreditar que o homem está muito longe de solucionar os graves problemas que afligem diretamente uma grande parcela da humanidade e indiretamente a qualquer pessoa consciente e solidária. É desejo de todos nós que algo seja feito no sentido de conter essas forças ameaçadoras, para podermos suportar as adversidades e construir um mundo que, por ser justo e pacífico, será mais facilmente habitado pelas gerações vindouras.

Se vocês seguirem a orientação dada pelo esquema, desde o 1º parágrafo, verão que não há como se perder na redação, nem fazer a introdução maior que o desenvolvimento, já que a introdução apresenta, de forma embrionária, o que será desenvolvido no corpo do texto. E lembre-se de que a conclusão sempre retoma a ideia apresentada na introdução, reafirmando-a, apresentando propostas, soluções para o caso apresentado. Com essa noção clara, de estrutura de texto, também é possível melhorar o seu desempenho nas provas de compreensão e interpretação de textos.

A leitura do texto deixa clara a diferença entre título e tema:
Dieta Liberada
Não é verdade que se lactantes obesas fizerem dieta comprometerão os bebês. Nutricionistas da Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos, acompanharam quarenta mulheres que consumiam uma dieta de baixa caloria. Após dez semanas, elas perderam 5 quilos em média, mas os bebês cresceram bem. Atenção: só especialistas podem preparar a dieta.
(Superinteressante, março, 2000)
O título é: Dieta Liberada
O tema é: A dieta em mulheres obesas durante a amamentação.
O título tem a função de chamar a atenção sobre o texto. Por isso é bom que seja curto, chamativo e tenha tudo a ver com o que é falado.

 

 

Como Melhorar a sua Redação


 Corte o "há" ou dispense o "atrás". O certo é "Há cinco anos..."
12. Só com a leitura intensiva se aprende a usar vírgulas corretamente. As regras sobre o assunto são insuficientes. 
13. Leia os bons autores e faça como eles: trate a vírgula com bons modos.
14. Nas citações, use aspas, coloque a vírgula e um verbo seguido do nome de quem disse ou escreveu aquilo. Exemplo: "O que é escrito sem esforço é geralmente lido sem prazer.", disse Samuel Johnson.
15. Leia muito, leia sempre, leia o que lhe pareça agradável.
Escreva diários, cartas, e-mails, crônicas, poesias, redações, qualquer texto. Só escrevendo, se aprende a escrever.

 

Os 10 Mandamentos para uma Boa Redação

1) Preste atenção quanto à modalidade de texto proposto (dissertação, carta argumentativa ou qualquer outro)
2) Leia os textos de apoio. Eles estão lá para auxiliá-lo
3) Organize suas ideias. Pense antes de começar a escrever
4) Jamais fuja do tema proposto
5) Seja coerente e coeso. Estes são pontos fundamentais para a elaboração de uma redação
6) Tenha cuidado com a gramática. Evite o uso de gírias, expressões populares e palavras estrangeiras.
7) Evite o uso de parágrafos muito longos.
8) Fique atento à concordância verbal. Tenha o cuidado de flexionar corretamente os verbos quando usá-los no gerúndio ou no particípio
9) O texto deve ter uma sequencia lógica
10) Faça uma letra legível, afinal de contas não adianta nada seguir os outros conselhos e redigir seu texto com uma caligrafia impossível de ser lida.


Siga estes indicativos e boa sorte na sua redação.
Edson Paiva

quinta-feira, 29 de março de 2012







Histórico:

Salvador

Bahia - BA

Salvador já nasceu capital sem ter sido província, e foi por muitos anos a maior cidade das Américas. O primeiro contato dos descobridores portugueses com as terras da atual cidade do Salvador, ocorreu quando da viagem da nau que levou ao Reino a boa nova do descobrimento. A expedição que viera de Portugal para reconhecer a nova conquista da coroa, a 1º de novembro de 1501, encontrou uma baía ampla, cheia de ilhas e muitos habitantes, à qual, sob inspiração da própria data, dera o nome de "Baía de Todos os Santos". Um marco de pedra foi, então, assentado no extremo sul do promontório -lugar hoje ocupado pela fortaleza e farol de Santo Antônio da Barra - assinalando as novas terras incorporadas ao patrimônio de Portugal.

Inicialmente, a região era habitada apenas por índios. Por conta de um naufrágio em 1510, à eles se juntaram os tripulantes de um navio francês, e, dentre estes, encontrava-se Diogo Álvares Corrêa, o Caramuru. Em 1534, foi fundada a capela em louvor a Nossa Senhora da Graça, porque ali viviam Caramuru e sua esposa, a indígena Catarina Paraguaçu, filha do cacique Taparica. Tornaram-se o primeiro casal cristão do Brasil.

Em 1536, chegou na região o primeiro donatário, Francisco Pereira Coutinho, que recebeu donataria de El-Rei Dom João III. Fundou o Arraial do Pereira, nas imediações onde hoje está a Ladeira da Barra. Este arraial, doze anos depois, na época da fundação da cidade, foi chamado de Vila Velha.

Mais tarde, o soberano português resolveu criar um Governo Geral com jurisdição sobre todo o território. Coube a instalação do Governo da colônia a Tomé de Sousa, que deixou Lisboa a 1º de fevereiro de 1549, com mais de mil pessoas, entre elas o primeiro médico nomeado para o Brasil, Dr. Jorge Valadares, os primeiros padres jesuítas, o farmacêutico, Diogo de Castro, pessoas de serviço, degredados e colonos-missionários, além de artífices, funcionários e soldados.

No Regimento que entregara à Tomé de Sousa, dizia D. João III: "A baía de Todos os Santos é o lugar mais conveniente da costa do Brasil para se poder fazer a dita povoação e assento, assim pela disposição do ponto e rios que nela entram, como pela bondade e abundância e a saúde da terra e por outros respeitos, hei por meu serviço que na dita baía se faça a dita povoação e assento." A escolha do soberano foi assim explicada, com uma viva imagem literária, por Frei Vicente do Salvador: "o Rei criou a Bahia para que fosse como o coração no meio do corpo,". Então, em 29 de março daquele ano, pela Ponta do Padrão, chega a expedição, com ordens do rei de Portugal para fundar uma cidade-fortaleza chamada do São Salvador.

Os primeiros escravos que aportaram na capital do Novo Mundo vieram da Nigéria, Angola, Senegal, Congo, Benin, Etiópia e Moçambique, a partir de 1550.

O açúcar, no século XVII, já era o produto mais exportado pela colônia. No final deste século, a Bahia se torna a maior província exportadora de açúcar. Nesta época, os limites da cidade iam da freguesia de Santo Antônio Além do Carmo até a freguesia de São Pedro Velho. A Cidade do São Salvador da Bahia de Todos os Santos foi sede da administração colonial do Brasil até 1763, quando o Rio de Janeiro tornou-se capital.

Em 1808, Salvador recebeu a família real portuguesa, que fugia de Napoleão Bonaparte, então invasor de países europeus. Na ocasião, o príncipe-regente, D. João VI, fundou a primeira Escola Médico-Cirúrgica, no Terreiro de Jesus, que se tornou a primeira faculdade de Medicina do Brasil. Em 1809, o Conde d'os Arcos iniciou sua administração, a qual foi muito benéfica à cidade. Em 1812, ele inaugurou o Teatro São João, onde mais tarde Xisto Bahia cantaria suas chulas e lundus, e Castro Alves inflamaria a platéia com seus maravilhosos poemas líricos e abolicionistas. Ainda no governo do Conde d'os Arcos, ocorreram os grandes deslizamentos nas Ladeiras da Gameleira, Misericórdia e Montanha.

Antes mesmo de proclamada a independência do País, já se lutava nas ruas de Salvador pela nossa emancipação política. Depois, nos arredores da cidade, travaram-se as vitoriosas batalhas de Cabrito e Pirajá, que culminaram, a 2 de julho de 1823, com a consolidação da Independência Nacional. Em 1835, ocorre a revolta dos escravos muçulmanos, conhecida como Revolta dos Malês.

Durante o século XIX, Salvador continuou a influenciar a política nacional, tendo emplacado diversos Ministros de Gabinete no II Reinado, tais como Saraiva, Rio Branco, Dantas e Zacarias.

Com a proclamação da República e a crise nas exportações de açúcar, a influência econômica e política da cidade no cenário nacional passa a ser cada vez menos importante. No período republicano, a fisionomia urbana da cidade sofreu modificações sensíveis a começar com as obras do Porto, que lhe ampliaram a área com aterros necessários a construção do ancoradouro. De 1912 a 1914, deu-se a abertura da Avenida Sete de Setembro, do Largo do Teatro (atual Praça Castro Alves) até o Farol da Barra. Nessa época, também se verificou a demolição das histórica igrejas da Ajuda, de São Pedro e do Rosário de João Pereira.

A cidade de Salvador era antigamente chamada de Bahia (inclusive por moradores do próprio estado). Também já recebeu alguns epítetos, como o de "Roma Negra", isso por ser considerada a cidade com maior população negra fora da África.

Gentílico: soteropolitano

Formação Administrativa

Cidade criada pelo alvará régio de 29 de março de 1549, com atual organização dada pela lei estadual nº 687, de 30/12/1953, publicada no Diário Oficial em 17/02/1954. dividido em 22 subdistritos.

Fonte: Prefeitura Municipal de Salvador; Secretaria Municipal de Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente (SEPLAM) de Salvador.

Autor do Histórico: JOÃO JOSÉ DOS SANTOS OLIVEIRA

terça-feira, 27 de março de 2012

CIDADANIA


O conceito de cidadania tem origem na Grécia clássica, sendo usado então para designar os direitos relativos ao cidadão, ou seja, o indivíduo que vivia na cidade e ali participava ativamente dos negócios e das decisões políticas. Cidadania pressupunha, portanto, todas as implicações decorrentes de uma vida em sociedade.

Ao longo da história, o conceito de cidadania foi ampliado, passando a englobar um conjunto de valores sociais que determinam o conjunto de deveres e direitos de um cidadão "Cidadania: direito de ter direito".

Cidadania (do latim, civitas, "cidade") é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive.

O conceito de cidadania sempre esteve fortemente "ligado" à noção de direitos, especialmente os direitos políticos, que permitem ao indivíduo intervir na direção dos negócios públicos do Estado, participando de modo direto ou indireto na formação do governo e na sua administração, seja ao votar (direto), seja ao concorrer a um cargo público (indireto). No entanto, dentro de uma democracia, a própria definição de Direito, pressupõe a contrapartida de deveres, uma vez que em uma coletividade os direitos de um indivíduo são garantidos a partir do cumprimento dos deveres dos demais componentes da sociedade.

Direitos de todos, das mulheres, dos negros, das crianças, dos adolescentes, do consumidor, dos idosos... Há várias leis e decretos que os traduzem. Mas de que adianta haver tantas leis e decretos que não são respeitados? Os direitos básicos dos cidadãos devem ser garantidos e respeitados pelo Estado. Será que na vida cotidiana isto acontece de fato?

Relação entre direitos e cidadania na história da humanidade:

Alguns povos da antiguidade como os babilônicos (código de Hamurabi, século XVIII a.C., e os gregos de Atenas, com as leis de Clístenes, século VI a.C.), tiveram suas normas e leis registradas por escritos. As leis babilônicas reforçavam o poder do Estado e as atenienses definiam as instituições da democracia. Nenhuma delas tratava dos direitos humanos extensivos a todas as pessoas.

Clístenes foi um político grego antigo, que levou adiante a obra de Sólon e, como este último, é considerado um dos pais da democracia. Embora fosse um membro da aristocracia ateniense, além de liderar uma revolta popular, reformou a constituição da antiga Atenas em 508 a.C..

Somente, a partir do século XIII, na Inglaterra, que se criaram as primeiras cartas e estatutos que asseguravam alguns desses direitos: a Magna Carta (1215-1225), que só protegia os homens livres. Em 1628, requeria o reconhecimento de direito e liberdade para os súditos do rei, a de 1689, submetia a monarquia à soberania popular (monarquia constitucional), além de outras que avançavam garantindo a ampliação dos direitos. Todos esses atos eram dirigidos às pessoas nascidas na Inglaterra. Eram leis para um só país.Com a Revolução Francesa (1789), os direitos baseados nos princípios da liberdade e da igualdade foram declarados universais, ou seja, válido para todos os habitantes do planeta.


PROJETO HISTÓRICO POLÍTICO

O Projeto Histórico Político, segundo Freitas (1987, p. 122-139) é o eixo que enuncia o tipo de sociedade ou organização social que temos e discute proposições na qual pretendemos transformar a atual sociedade e os meios que devemos colocar em prática para a sua consecução. Tais projetos fornecem base para a organização das práticas pedagógicas e dos partidos políticos.

Nas sociedades de classes, como é o caso do Brasil, o movimento social se caracteriza, fundamentalmente, pela luta entre as classes sociais a fim de afirmarem seus interesses.

Tais interesses podem ser classificados em imediatos e históricos (Souza, 1987 p. 11). Pode-se dizer, grosso modo, que os interesses imediatos da classe trabalhadora, na qual se incluem as chamadas populares, correspondem à sua necessidade de sobrevivência, à luta no cotidiano pelo direito ao emprego, ao salário, à alimentação, ao transporte, à habitação, à saúde, à educação de qualidade, à afirmação da identidade, enfim, às condições dignas de existência.

Os interesses imediatos da classe proprietária correspondem às suas necessidades de acumular riquezas, gerar mais renda, ampliar o consumo, o patrimônio, etc. Ainda com relação a essa classe, seus interesses históricos correspondem à sua necessidade de garantir o poder para manter a posição privilegiada que ocupa na sociedade a partir desses privilégios.

Sua luta é pela manutenção do “status quo”. Não pretende transformar a sociedade brasileira, nem abrir mão de seus privilégios enquanto classe social. Para isso, desenvolvem determinadas formas de consciência social (ideologia), que veicula seus interesses, seus valores, sua ética e sua moral como universais, inerentes a qualquer indivíduo, independente da sua origem ou posição de classe social. Ela detém a direção da sociedade: a direção política, intelectual e moral. A essa direção, Gramsci denomina de “hegemonia” (Supremacia de um povo. Preponderância de uma cidade ou povo. Preponderância, domínio).

Os interesses históricos da classe trabalhadora vêm se expressando através da luta e da vontade política para tomar a direção da sociedade e construir uma sociedade diferente da que temos. Construir uma sociedade igualitária. Um país sem diferença de classes sociais, que respeite o direito de todos.

Como se vê, os interesses de classe são diferentes e antagônicos. Portanto, não se pode entender que a sociedade capitalista seja aquela onde os indivíduos buscam objetivos comuns, nem tampouco que a conquista desses objetivos depende do esforço e do mérito de cada indivíduo isolado. A conquista é coletiva.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino da educação física. São Paulo; Cortez, 1992, p. 23-24.